"A medida do amor é amar sem medida" Santo Agostinho

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sexta série


Estudei em escola de bairro até os onze anos, depois disso, minha mãe me matriculou numa escola mais longe de casa e que tinha até o ensino médio. Conheci pessoas bem diferentes das que eu estava acostumada. Na sexta série, conheci a turma de Luciano. A turma dele estudava à noite, um pessoal mais velho, mas que toda tarde vinha jogar vôlei em frente ao colégio. Eu ficava o intervalo todo olhando eles pela janela da sala. Suas brincadeiras, o jeito dele conversarem entre si, a sua rebeldia com os diretores do colégio. Enfim um mundo bem diferente do meu. E acabei me apaixonando por ele.  Foi nessa época que quase repeti o ano. Essa mesma turminha se juntava para jogar bola, exatamente onde eu praticava Educação Física, as meninas ficavam na arquibancada torcendo e os meninos jogando futebol. Eu fugia das minhas aulas e ficava observando ele de longe. Eram os melhores momentos da semana, os dias da Educação Física. No final do ano acabei sem nota alguma no boletim, e fazendo o monte de trabalho para não reprovar a sexta série e ainda por cima fiquei sabendo que ele tinha namorada, uma morena bem bonita do segundo ano. Fiquei bem triste, mas as lembranças que ficaram foram boas: aquele ano que fugia das aulas para observar aquele carinha.

Infância

Quando eu era pequena, dos meus dez aos quinze anos, meus irmãos e eu vivíamos trancados dentro de casa, meu pai achava “que lugar de menino era dentro de casa e se não obedecesse ficava de castigo de joelhos no feijão”. Então todo início de noite a turminha da rua que chegava do colégio se juntava em frente a minha casa. Brincavam de barra bandeira, pique esconde, estátua, elástico, chutar o pote, todas essas brincadeiras de criança. Meus irmãos e eu ficávamos só olhando e ansiosos esperando meu pai se aprontar e ir para a igreja, para o ensaio do coral. Ele nos deixava trancados, com o portão no cadeado e tudo, mas estrategicamente, tínhamos cerrado as vigas do portão e quando ele saia a gente levantava as vigas e saia para brincar. Divertíamos-nos a valer, mas todo mundo sabia que se ele pegasse a gente na rua quando chegasse era castigo na certa, então ficava todo mundo vigiando. Quando meu pai apontava no fim da ladeira a turma gritava: “corre, corre teu pai já vem!” Era uma correria só. Quando ele chegava em casa tava todo mundo, os cinco irmãos, fingindo que dormia, todos suados enrolados no lençol. Minha mãe ficava com raiva, por causa dos lençóis, mas só não reclamava porque sabia que se falasse alguma coisa íamos todos para o castigo. Parece ruim, mas não era não, se eu bem soubesse teria aproveitado mais aquele tempo de criança, quando a gente cresce e as responsabilidades vêm, a gente fica mais comedidos, mais chato. Enfim, tempos bons aqueles.

sábado, 2 de outubro de 2010

Texto de Clarice Lispector

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
(Imagem:  http://www.cidadaodomundo.org)

CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO, Mario Quintana

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viesse pousar os passarinhos.

(Um adendo: Então, não sei se por medo ou por engano me afaste e menti)


(Imagem: http://jarbas.wordpress.com)

Meu amor por Gravatá




Muitos lugares que já visitei, ou que quero visitar me conquistaram bela beleza, pelos lugares que tem para se divertir ou pelas pessoas que tenho para visitar. Gravatá não, ela me seduziu por sei lá o que. Gostei de gravatá desde que pisei pela primeira vez lá, em 2004, o lugar é lindo, mas parecia que não era isso que estava chamando atenção. Era como se eu pertencesse àquele lugar, se é que isso é possível. Gosto muito da viagem de ida, das casas, de tomar vinho ou apenas apreciar a paisagem no cruzeiro, do friozinho e principalmente das flores. Tenho lembranças ótimas de lá e mesmo que passem anos, se tiver que escolher um lugar no mundo, vou escolher Gravatá.

Esqueceram de mim

Sempre que conto está história minha irmã costuma dizer que eu já nasci doida (- como uma criança reage assim numa situação dessas, qualquer outra só iria chorar! Afirma ela). Acho que tinha entre sete e oito anos, minha tia tinha chegado de férias de São Paulo e fomos todos passear no shopping (coisa de pobre mesmo né?! Porque quem tem dinheiro, que eu saiba, vai fazer compras, pobre vai passear). Fotos, sorvetes, muitos risos (porque quem ri é minha família, vixe!), hora de ir para casa. Espera o ônibus, o caminho de casa e quando já estavam deitados, de pernas para cima no sofá surge à pergunta: cadê Márcia? Esquecemos no shopping!!
O detalhe é que quando percebi, com sete anos, que estava perdida me direcionei ao guarda mais próximo: - moço minha família se perdeu de mim, o senhor poderia anunciar pelo alto falante para Suely Pereira da Silva que eu estou aqui em cima. Tipo assim, alôôô! Num era nessa hora que eu deveria está chorando? O guarda anunciou, mas como naquela hora minha família já não estava lá, ninguém apareceu. Encontraram-me umas quatro horas depois na parte administrativa do shopping, com as perninhas balançado, minha mãe fala disso até hoje. Enfim, essas coisas só comigo mesmo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010